Creonte: traidor e oportunista, ou alguém que só quer o melhor para si mesmo?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

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Andrei Gustavo Santiago


Creonte

No universo do Jiu-Jitsu, o nosso universo, existem várias expressões bastante peculiares como “espalha-frango”, “mata-leão”, “gogoplata”, entre tantas outras. Mas existe uma que gera bastante discussão e controvérsia: CREONTE.
Na mitologia grega, Creonte foi um rei. Mas o Grande Mestre Carlson Gracie, incomparável criador de frases e jargões, popularizou esse nome atrelado à um significado nada digno, o de traidor, inspirado em um personagem com esse nome interpretado por Gracindo Júnior e Marcos Palmeira na novela “Mandala” de 1987. A partir deste momento, no mundo do Jiu Jitsu traidores deixaram de ser “traíras” e passaram a ser “creontes”.
O creonte, a partir de então, passou a ser aquele indivíduo que não tem o menor escrúpulo e não faz a menor cerimônia para trocar sua equipe por outra. Hoje Gracie Barra, amanhã Nova União. Figura vista com desconfiança por professores e alunos, por ser um camarada que hoje compartilha técnicas com você, passa a conhecer seu jogo e que amanhã será seu adversário nos campeonatos.
Esta foi uma breve descrição do creonte. Isto posto, vamos tentar entender o que pode fazer com que alguém simplesmente mude de time.
Quando creonte passou a identificar traidores, o Jiu-Jitsu tinha um sentido de bandeira fortíssimo, a identificação com o mestre e a equipe era pertencer a uma linhagem, era lutar pelo nome do sensei. A lealdade era inquestionável. Mas a evolução do esporte trouxe um cenário novo.
Com a profissionalização dos lutadores de Jiu-Jitsu que participavam dos torneios de vale-tudo (posteriormente MMA), fronteiras desapareceram na busca pelas melhores condições de treino, pelos melhores sparrings, pela técnica mais apropriada. Novas modalidades passaram a ser incorporadas e, assim, lutadores ora rivais viram-se treinando juntos. O ranço da “creontagem” nunca deixou de existir, mas foi amenizado.
A situação exposta acima diz respeito aos atletas de alto rendimento, aos faixas-pretas que formavam a “linha de frente” das equipes de Jiu-Jitsu no vale-tudo e depois no MMA. Mas a grande maioria dos praticantes da arte suave é composta pelos “faixas-coloridas” não competidores, que também trocam de equipe por diversos motivos.
O Jiu-Jitsu traz consigo, além da excelência marcial, qualidade de vida enquanto esporte. E boa parte das pessoas que resolvem praticar nossa luta o fazem justamente por essa qualidade de vida.
Aí entra a relação consumidor-produto. Se o aluno treina em uma academia que não oferece uma estrutura impecável, se o professor direciona mais atenção aos seus competidores, deixando o aluno “comum” a cargo dos instrutores, se o treinamento não é, ainda que periodicamente, individualizado (mesmo em turmas coletivas), a tendência é que esse aluno busque um outro lugar para treinar, uma academia que satisfaça todas as suas expectativas enquanto praticante e consumidor. Os professores precisam estar atentos ao mercado, precisam evoluir junto com o cenário do Jiu-Jitsu, cada vez mais globalizado.
O objetivo deste texto não é justificar aquele lutador interesseiro que troca sua equipe por qualquer vantagem pessoal, ainda que mínima, que pula de equipe em equipe como macaco pula de galho em galho, mas sim lançar sobre o tema uma reflexão sobre os motivos que podem fazer com que um praticante mude de time.
Hora do treino. Até a próxima! OSS!

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