DUNAS E MONTANHAS ELETRIZANTES DO COSTÃO - Por Roselaine Gallício

segunda-feira, 6 de julho de 2015


MOUNTAIN DO COSTÃO DO SANTINHO - 42KM...

Belisquei mais um pódio, segundo lugar na categoria 45/54...huhu!



Dessa vez embarquei nas montanhas e dunas do Costão do Santinho. Os 42km arrepiantes e emocionantes do Mountain Do no dia 27 de junho.

Segundo a história, o Mountain Do é um evento de corrida de montanha inspirado na fusão das corridas populares de rua com as tradicionais corridas europeias da região dos Alpes suíços, italianos e franceses, na década de 90. No Brasil, é uma corrida entre trilhas e montanhas, integrando natureza, desafios e superação e que acontecem nas principais cidades turísticas brasileiras e no Deserto do Atacama, no Chile.

Essa foi a segunda edição do MD Costão do Santinho que eu participo e sempre me encanto com a beleza desta prova ao norte da Ilha de Florianopolis.
 
 
 
A prova é um evento belíssimo que se resume em três dias com uma estrutura bem elaborada. A entrega dos kits, o coquetel e o simpósio técnico na sexta-feira abrindo os trabalhos do evento; a prova no sábado entre lindos costões, praias, bosques, montanhas, trilhas milenares e o almoço e premiação no domingo. O espaço acomodou de forma sutil várias informações sobre a prova como banners enormes informando os pontos de água e mapas do percurso. A expo também estava lá com alguns stands bem legais, um verdadeiro paraíso onde todos os corredores que conheço se amarram, inclusive eu..hehe.




Entrei no clima da prova já na retirada do kit que veio recheado de coisas legais. E como no ano passado fiquei sem fôlego ao assistir a exibição de parte do vídeo Déjame Vivir do Killian Jornet, este ano não poderia deixar de ser diferente. Perdi o fôlego novamente. Cada cena estonteante! Pode crer que ele não é desse mundo; consegue estabelecer recordes de velocidade subindo e descendo alguns dos mais conhecidos picos do mundo.
 
 
Estava tudo pronto para encarar este novo desafio. A armadura estava pronta para o combate! É lógico que o look foi bem colorido, afinal o mundo multicores é muito mais divertido.



Meu super boton de km de energia ativado para o amigo Renato Cavallierie Mello, confeccionado pelas minhas queridas sobrinhas Gabi e Reissi que abraçaram a causa, e a mente clara e tranquila anunciando que seria uma integração entre raça e superação!
 
 
Sabadão chegou com seus 18 graus e um céu azul nos dando boas vindas. Enquanto tomava café da manhã fiquei mentalizando minha prova. Aquele café da manhã no Resort é uma coisa de louco, ficaria ali na boa por horas e horas me deliciando com os quitutes só apreciando a beleza da praia que se esparramava bem à nossa frente.
Só que não! Nada de extravagâncias neste café da manhã. Foco! Não se come nada do que não esteja acostumada nos dias que antecedem e principalmente no dia da prova, isso seria um erro fatal. Deixei a gula reservada para o dia seguinte e fui concentrada para os últimos preparativos.
 
Como eu amo estes desafios que envolvem natureza, saúde, companheirismo e Aventura! Interação total com as montanhas.
Eu já conhecia o percurso do MD, mas cada prova é única não importa se eu já passei por aquele percurso um milhão de vezes! A montanha se apresenta majestosa com toda sua energia e traços diferentes a cada corrida. Novas e infinitas sensações estão em jogo!

Hora de partir para mais um desafio. Fui alinhar mega pilhada e com o sorriso no rosto entre os corredores para desbravar as “surpresas” do percurso.
Largamos...Partiu...Bora se jogar!

Uma descida íngreme e forte logo de cara nos levou até a praia do Santinho de areia firme, onde seguimos até chegar a primeira gigante montanha na ponta dos Ingleses, o Morro dos Ingleses, com seus single tracks desafiadores e descidas técnicas. O coração em sintonia com as primeiras montanhas na exuberante Mata Atlântica ainda preservada. Lindo demais!!!



O percurso volta em direção à linha de largada dentro do Resort e assim começam as dunas do Moçambique. Isto significa muitaaaaa areia. A descida entre as dunas cercada pela mata foi eletrizante e me lembrei da outra edição onde desci a passos largos e voei rumo ao sinistro. Repeti o feito e me diverti feito criança despencando dunas abaixo. Brincadeira de criança, como é bom, como é bom! Incrível como alguns atletas voaram neste trecho.
 
 

Grande parte do percurso é sobre as dunas e posso falar que não é brincadeira correr ali viu! Difícil paca, você não consegue impor ritmo e faz um tremendo esforço. Lembrei muito de alguns treinos de resistência e força que fizemos na areia fofa em Boiçucanga, no litoral norte. Praia excelente para treinar que simula honestamente o esforço de correr em areia fofa. E foram ciclos de pernadas intermináveis sempre com o visual das Ilhas, Montão de trigo, Ilhas dos Gatos e Couves; as lindas Ilhas de São Sebastião. Maravilhoso! Isso m ajudou a segurar a onda!

 
 
 
 
Uma garoa invadiu o percurso para deixar tudo mais desafiador. A mudança de cenário é radical e deslumbrante. Chegamos a uma estrada de terra mega longa paralela à praia, uma das partes mais rápidas do percurso antes de chegar à praia mais hard para correr. Muitos surfistas desbravando ondas gigantes por ali. A praia de Moçambique que eu nomeei como praia das conchinhas conta com um verdadeiro tapete de conchas dos mais variados tamanhos que se estendia em toda orla. Lindo de morrer ver toda esta beleza preservada. Deu vontade de trazer um monte, mas o que é da natureza fica na natureza!
 
Essa praia é a maior praia de Florianópolis, conta com 12,5km de extensão. O trote afundando o pé foi o que fez valer por ali porque correr ritmado nem pensar. Aquela imensidão de areia fofa sem fim castigou no limite todos os atletas do 42k.
 
Chegamos ao final da praia das conchinhas. Ela integra o Parque Florestal do Rio Vermelho, então era de se esperar uma vegetação lindíssima. Entramos neste bosque delicioso e percorremos alguns km neste paraíso para repor o cansaço das pernas pesadas, mas durou pouco porque logo voltamos para onde? A praia das conchinhas again! 
 
 
 
 


Eita praia mais longa viu. Vamos afundar o pé mais alguns km nesta areia fofa e grossa. Mas bora lá, engole o choro e manda ver garota. Desafio master. Superação total!
De volta ao estradão de terra e mais dunas com a companheira e fiel areia fofa e a esta altura o sol voltou com força total e já castigava. Como eu bebi água! Uma hidratação impecável é fundamental em qualquer tipo de corrida de montanhas e acostumada a encarar desafios longos, não bobeei nem um segundo na minha alimentação e hidratação. 

A troca de energia entre os atletas nas montanhas é impagável. Havia uma química muito boa ali. Todos torcendo por todos e unindo corações. Vibrante! Eu sempre falo que corredores já nascem amigos, só precisam de uma corrida juntos para se reconhecerem. E como eu fiz amigos naquele areião fofo, que delícia!
 
 
 
 
E na floresta mágica e encantada no Parque Estadual do Rio Vermelho, um paraíso no meio de uma imensidão de pinheiros entre as dunas, corrí feito uma gazela pulando entre as folhas secas para tentar aumentar um pouco o ritmo. Um presente para os olhos estar na prova e passar por tantos lugares lindos. Todos os meus sentidos afloraram com gratidão à vida! 
A mente se preparando para a parte mais difícil, o costão que divide Moçambique da praia do Santinho.
Enfim, a tão temida costeira chegou. Pensa em lugar lindo de morrer. Pensou? Multiplica isso por mil e você terá um espetáculo da natureza, o majestoso Costão do Santinho com seus trechos de pedras intermináveis e suas empolgantes trilhas em meia a lama preta, pedras, galhos, espinhos, troncos e tudo mais. Visual encantador com trechos extra punk!
 
 
Terreno altamente técnico, desníveis enormes, partes mega escorregadias, blocos de pedras, subidas e descidas fortes. Era atoleiro que não acabava mais. Lembrei-me da dica de um amigo quando estava iniciando nas montanhas há alguns anos atrás. Corre como se a lama não estivesse ali! Enfia o pé mesmo. Lógico que aprendi a correr na lama depois de muitos atoleiros engraçados. Apertei o ícone da garra e fui!
Tudo isso com uma esplendorosa vista para o mar. Hiper gratificante!
Estava bem do jeito que eu gosto. Quanto mais difícil, melhor. Esse é o meu lema! Afinal, viemos até aqui pra correr ou ficar de mimimi? Coisa de louco? Sim somos loucos, loucos por endorfina!
Mas como tudo que é bom dura pouco, a costeira acabou e entrei num campo de grama já visualizando o Resort na exuberante praia do Costão.

 
Cheguei à praia do Santinho empolgada, feliz, cansada e lembrei que tinha aquela última subida forte antes da entrada do Resort. E ali um grupo de fotógrafos incentivando os atletas à minha frente que já estavam sem forças para correr: - Você não quer sair na foto andando quer? Correee!! Eles estavam ali como na edição anterior com a mesma frase, o mesmo estímulo. Que lindo. Amei! E não é que esse empurrãozinho alavancou uma onda de atletas que partiram para o arranque final?
Olhei para o Garmin e vi que dava para finalizar antes de 6 horas. Não sei como achei forças para impor um ritmo mais forte, mas fui com a cara e com a coragem. Acreditei e levei toda minha emoção e raça adiante!

Nesta hora lembrei da minha família linda, mamãe, papai Antonio Edna Gallicio maninha Rosemeire Gallicio, maninhos João Carlos Gallicio e Emerson Gallicio e sobrinhas Gabi Cordon, Reissi Piovesan e Janine Cordon e do love Paulão, que sempre me encorajam nas minhas loucas aventuras. A mente fortalecida me guiou nestes últimos km. Vai com fé que dá garota TriUltra Montanheira!

Passei o pórtico extasiada agradecendo por mais esta conquista. 6:00 Não, 5:58:05 sendo 5:57:55 líquido. Consegui..eba!!!!
 
Logo mais visualizei meu namoridão, que já havia chegado da sua prova, torcendo e mega empolgado com minha chegada.
 

Ganhei um mega abraço do meu lindão. Casal unido pelo esporte vibrando a cada desafio. A alma explica!
 
Meu fiel possante e predileto das trilhas aguentou o perrengue firme e forte. Esses cravos te impulsionam de um jeito na grama e na lama que dá até gosto. Eita tênis baum!

 
Só alegria na área de dispersão com os relatos emocionantes; comes e bebes com mesa de frutas à vontade, massagem e com a linda e merecida medalha de finisher no peito.
Uma bela estrutura montada nesta prova respeitável, bem organizada, desafiadora e linda! Esse fim de tarde foi espetacular. Família e amigos mandando recadinhos mega carinhosos, um gelo especial na piscina relembrando e rindo muito de todos os perrengues e muitas gordices para comer.
 
No domingo, a premiação me fez estremecer de emoção, pois não esperava subir ao pódio em segundo na categoria. 

 
 
E quem estava entregando os troféus para os atletas da categoria geral feminino e masculino? O grande Vanderlei Cordeiro de Lima, ícone do atletismo brasileiro, ex-maratonista brasileiro, bicampeão dos Jogos Pan-americanos, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e o único latino-americano outorgado com a Medalha Pierre de Coubertin, a maior condecoração de cunho humanitário-esportivo concedida pelo Comitê Olímpico Internacional. Fui tietar com ele e ganhei uma fotinha e um mega abraço de Parabéns do campeão. Muita emoção!
 
 
 
De todos os troféus que eu já conquistei, este do Mountain Do Costão do Santinho é o mais imponente. De fato, o tamanho da medalha e do troféu desta prova faz jus à beleza e dureza da mesma. Gigante pela própria natureza!
Um delicioso almoço oferecido aos atletas fechou esta etapa do Costão do Santinho em grande estilo. Sou mega fã do circuito Mountain Do.
Viagem, resort, montanha, corrida, entretenimento, só posso dizer que foi excelente. Parabéns a todos que lá se aventuraram.
Que venham os próximos desafios, novas aventuras e muitos sonhos realizados!
“Não existem limites que não possam ser superados, pois vencer a si mesmo todos os dias e persistir nos treinos, é a melhor vitória...a vitória diária!
 
Roselaine Gallicio, 51 anos, é apaixonada pela vida, louca por esportes, triatleta, ultramaratonista e personal trainer, especialista em Pilates. Começou suas atividades esportivas aos 18 anos. Enquanto estiver com saúde e disposição pretende continuar firme nos meus desafios: Ironman e Ultramaratonas.
O esporte para ela é qualidade de vida, um processo de evolução e autoconhecimento pessoal. “Você passa tantas horas conversando consigo mesmo, escutando o corpo, equilibrando razão e emoção que o tempo torna-se efêmero”.
Facebook: Roselaine Gallicio
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