Pensando à Bessa: Atleta, uma palavra que iguala os gêneros?

sexta-feira, 8 de maio de 2015

por Vagner Bessa
 
 
A formação do Board Women Triathlon e o #50WomentoKona movement, lançado no último dia 8 de março, dia internacional das mulheres, colocaram em evidência um tema latente no Triathlon: A desigualdade entre homens e mulheres.
 
 
 
 
 
A participação feminina vem crescendo e hoje alcança cerca de 36,5% do total de triatletas nos Estados Unidos, segundo a USA Triathlon, e 25,0% na Grã-Bretanha, de acordo com a TIA – Triathlon Industry Association.
 
No Brasil, é possível retratar esse quadro apenas por meio de painéis produzidos com a listagem de resultados publicados na Internet. Os números são bem mais modestos: Entre os que finalizaram o Internacional de Santos em 2015, a cada 100 triatletas apenas 13 eram mulheres, desproporção que é mais drástica na distância Ironman, nas quais se contabilizam 10 mulheres a cada 100 homens.
 
As assimetrias entre homens e mulheres estão associadas a problemas de ordem mais geral e têm rebatimentos indiretos no esporte, tais como hábitos sociais baseados em estereótipos.
 
A ideia de que “os meninos são mais interessados ​​em esportes do que as meninas” ou de que “o trabalho doméstico é uma atividade feminina” são exemplares nesse sentido: 90% das mulheres realizam tarefas domésticas com uma carga de 25 horas semanais, enquanto 40% dos homens se dedicam às mesmas tarefas com uma carga de apenas oito horas.
 
 
Há também as questões de ordem econômica que atingem as mulheres no campo profissional – estudo realizado pela BBC mostra que 30% das modalidades entre 56 pesquisadas ainda distribuíam prêmios desiguais entre homens e mulheres.
 
Patrocinadores e organizadores de eventos alegam que os prêmios obedecem à regra de proporção e mudar esse quadro implicaria em adensar a participação feminina em termos de atletas e público. Como diz a matéria do Independent:

“Prêmio em dinheiro é importante, mas ater-se a ele é colocar o carro na frente dos bois. Você não pode ter igualdade nas premiações até que você tenha os mesmos níveis de participação e oportunidade.”

 Outros argumentam que proporcionar prêmios idênticos traria benefícios apenas à elite, quando a lógica indica que mais recursos deveriam ser direcionados para alavancar a participação feminina de forma geral.
 
Matéria da The Economist, por outro lado, advoga que as causas da desigualdade no esporte são recicladas por suas consequências. É difícil pensar em aumentar a participação feminina se apenas 0,7% de todo montante de patrocínios comerciais é destinado às mulheres (dados de 2013).
 
“Este é um círculo vicioso: os telespectadores querem ver desporto ao mais alto nível profissional, e os patrocinadores querem estar associados com os melhores atletas. Por causa da falta de patrocínio, muitas atletas do sexo feminino, mesmo aquelas que representam os seus países, têm que treinar e lidar com outro emprego. (E) Aquelas que são pagas normalmente recebem menos do que colegas do sexo masculino.”
 
 
A baixa representação feminina também tem sido alvo de atenção das entidades nacionais que organizam o Triathlon, mas com uma pauta que não se limita à distribuição prêmios e vagas.
 
No Canadá, o combate à desigualdade de gênero extrapola o universo das atletas e incide sobre todas as esferas que envolvem a indústria do Triathlon. Por que não temos mais mulheres atuando como mecânicas, treinadoras, organizadoras de eventos e empreendedoras de pequenos negócios associadas à promoção do esporte?
 
Já a Federação Britânica de Triathlon aborda a necessidade de uma plataforma que envolve dois temas: Igualdade e Diversidade. Trata-se não apenas de garantir oportunidades iguais entre homens e mulheres, mas também de combater todas as formas de discriminação que atinjam, por exemplo, a liberdade sexual e o estado civil dos indivíduos.
 
Por fim, é necessário dizer que as questões acima deveriam ser mais amplamente consideradas como um problema de todos, e não apenas uma enérgica batalha das mulheres pela busca da igualdade. Como disse a atriz Emma Watson no belíssimo discurso no lançamento da agenda “HeforShe”,
 
“Deveríamos parar de nos definir pelo que não somos e começarmos a nos definir pelo que somos. Todos podem ser mais livres e é sobre isso que HeForShe fala. Sobre liberdade. Eu quero que os homens comecem essa luta para que suas filhas, irmãs e esposas possam se livrar do preconceito, mas também para que seus filhos tenham permissão para serem vulneráveis e humanos e, fazendo isso, sejam uma versão mais completa de si mesmos.”
 
 
Vagner Bessa, seis vezes Ironman, classificado para o Mundial de Ironman 70.3 2013, em Las Vegas, Pós-graduado em Economia e Grografia, economista da FEAD/SP. Aceitou escrever para o MundoTRI, na nova coluna “Pensando à Bessa”, depois de muita insistência, afinal, ele não nasceu para isso…


Fonte - www.mundotri.com.br

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