Diabetes: oito respostas para o paciente que recebeu o diagnóstico

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Médicos tiram dúvidas sobre consumo de açúcar, insulina e a reversão da doença



Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo divulgou um dado assustador: uma pessoa morre a cada hora vítima de complicações do diabetes. No entanto, o levantamento não detalha se estas pessoas sabiam que eram portadoras da doença, algo muito comum. O diabetes é considerado uma doença silenciosa, pois só vai dar seus primeiros sinais quando já está instalada.

Dados da pesquisa VIGITEL de 2013 mostram que o diabetes afeta 6,8% da população brasileira. Além disso, um levantamento do Instituto Ipsos em parceria com a empresa farmacêutica Novo Nordisk mostra que aproximadamente 10% dos brasileiros corre alto risco de desenvolver a doença, se não mudarem seus hábitos. Se você acabou de receber o diagnóstico de diabetes ou conhece alguém que tem a doença, veja abaixo as respostas dos especialistas para as dúvidas mais comuns no consultório quando um paciente recebe o diagnóstico:


 

O médico disse que eu estou com diabetes. Como ele faz o diagnóstico?

Existem alguns exames que auxiliam o médico a chegar ao diagnóstico de diabetes. Os principais são os exames de glicemia de jejum - que mede a quantidade de açúcar no seu sangue no momento da retirada - e a hemoglobina glicada (HbA1c), que mostra a média de concentração de glicose no sangue nos 60 dias precedentes ao exame. A Sociedade Brasileira de Diabetes considera o diagnóstico de diabetes nas seguintes condições: hemoglobina glicada acima de 6,5% confirmada em outra ocasião (dois testes alterados), uma dosagem de HbA1c associada a glicemia de jejum maior que 200 mg/dl ou dois testes alterados para glicemia de jejum. Em todos os casos, é importante que os exames alterados estejam relacionados à presença de sintomas de diabetes, tais como urinar várias vezes ao dia, sede intensa e desidratação. Outro exame que serve para o diagnóstico do diabetes é a curva glicêmica, que determina a capacidade que o corpo tem de processar grandes quantidades de glicose. Além de serem feitos para o diagnóstico, esses exames também funcionam para acompanhamento da doença, devendo ser feitos periodicamente pelos pacientes.


 

O médico disse que estou com pré-diabetes. Posso reverter esse quadro?

Sim. A pré-diabetes é um termo usado para indicar que o paciente tem potencial para desenvolver a doença, como se fosse um estado intermediário entre o saudável e o diabetes tipo 2 - pois no caso do tipo 1 não existe pré-diabetes, o indivíduo já nasce com a impossibilidade de produzir insulina. Quando o exame de glicemia do jejum encontra-se entre 100 e 125 mg/dL é diagnosticada a pré-diabetes, que pode ser revertida com a prática de atividade física, dieta saudável e redução do peso. Saindo desse quadro, a pessoa pode nunca mais entrar em risco para a doença, ou então apenas retardar seu aparecimento.



 

Terei diabetes para o resto da vida?

Uma vez identificado o diabetes ou evoluído do pré-diabetes, a doença é considerada crônica porque não existe ainda uma cura definitiva para esse quadro clínico, mas há tratamento adequado e cuidados para o paciente conviver com a doença da melhor forma possível, com qualidade de vida e evitando complicações. "O diabetes indica uma alteração na produção e secreção de insulina pelo pâncreas, que não pode ser corrigida completamente, apenas minimizada com a adoção dos cuidados adequados", afirma a endocrinologista Cristina Formiga, do Hospital Samaritano, em São Paulo. Atualmente, existem um tipo de cirurgia bariátrica, o Bypass Gástrico, responsável por controlar de forma considerável o diabetes tipo 2. No entanto, ele só é recomendado para pessoas com obesidade avançada e doenças conjuntas, que não conseguem controlar o quadro com mudança de hábitos.


 

Se eu tenho diabetes, meu filho também terá?

Não necessariamente. "Existem alterações no DNA que predispõe o indivíduo ter ou não diabetes, mas o meio ambiente também influencia", explica Cristina Formiga. Hábitos de vida saudáveis, como uma dieta adequada e prática de exercício físico, evitam o desenvolvimento de diabetes tipo 2 mesmo em quem tem predisposição genética.


 

Vou precisar tomar insulina?

Os pacientes recém-diagnosticados com diabetes tipo 2 não precisam necessariamente tomar insulina. "A necessidade de insulina depende do quanto o diabetes está descompensado, e isso pode ser avaliado por meio do exame de glicemia capilar (que mostra a quantidade de glicose que a pessoa tem naquele momento) ou do exame de hemoglobina glicada (que mostra a curva glicêmica durante 90 dias)", explica a endocrinologista Cristina. Para aqueles que possuem diabetes do tipo 1, a aplicação da insulina é necessária diariamente, já que o organismo do paciente não produz esse hormônio. "É importante ressaltar que a aplicação de insulina não promove qualquer tipo de dependência química ou psíquica", ressalta a nutricionista Patrícia Ramos, do Hospital Bandeirantes, em São Paulo. O hormônio é responsável por permitir a entrada da glicose na célula, que é sua fonte de energia.


 

Vou precisar cortar todo o açúcar da dieta?

A dieta ideal para o paciente de diabetes consiste em trocar o açúcar por adoçante e a farinha branca por integral. O carboidrato simples e o açúcar refinado dentro do nosso organismo se transformam em glicose de forma muito rápida, criando picos do nutriente no sangue e exigindo uma grande produção de insulina, que na pessoa com diabetes é deficiente. "Quando o paciente corta esses alimentos, o controle da doença é mais fácil, pois reduz a necessidade de insulina", explica a endocrinologista Cristina. No entanto, não é necessário eliminar completamente esses nutrientes da sua dieta, basta ingerir de forma controlada e em uma quantidade muito menor.


 

Poderei ingerir bebidas alcoólicas?

A ingestão de bebida alcoólica deve ser moderada. "O consumo de álcool, principalmente em jejum, pode levar à hipoglicemia, pois a substância tende a reduzir as taxas de glicose no sangue", explica a nutricionista Patrícia. Por outro lado, o abuso de álcool pode causar um quadro contrário, de hiperglicemia, já que as bebidas também contêm açúcar na composição. É importante fazer o monitoramento de glicemia antes e depois de consumir álcool e nunca beber de estômago vazio.



 

Preciso fazer atividade física?

É muito comum pensarmos que a diabetes é uma doença debilitante, que impede o paciente de seguir com suas atividades normais. Mas isso está longe de ser verdade: se o quadro estiver controlado, é possível conviver com a doença sem maiores problemas. E isso vale também para a atividade física, afirmam as especialistas. "O paciente com diabetes não só pode como deve fazer atividade física diária e com moderação", ensina a endocrinologista Cristina. Os exercícios controlam o índice glicêmico e ajudam na perda de peso, necessidade comumente associada à doença. Dessa forma, é possível reduzir o uso de insulina, inclusive para aqueles com diabetes tipo 1.
 
 

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