Diário da Jacque Historia de uma Meia Maratona na Lua de Mel.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Eu já contei aqui um pouco da minha história na corrida, como conheci meu marido e também como incentivamos a Yasmin, sua filha na corrida.
Agora eu queria contar uma passagem super importante para nós que foi nosso casamento.
Como não poderia deixar de ser diferente, na nossa lua de Mel corremos uma meia maratona.

Vou deixar aqui, um texto que escrevi logo que voltamos da nossa aventura e experiência romantica da Lua de Mel.
 
 
O texto foi escrito para o site www.runersworld.com.br - coloco também o link para quem quiser ver no site da revista.
É uma história cheia de desafios - bem como gostamos - e repleta de emoção
 


 

Em nome do pace, vos declaro marido e mulher

            
      Jacqueline e Anderson. Dois anos de namoro, dois anos de jantarzinhos, dois anos se conhecendo para a grande mudança de vida. O casamento foi programado, bolo, champanhe, padrinhos, bem-casados, o de sempre. E a lua de mel? Antes que venham as primeiras críticas pela mudança de rumo desse blog, peço um pouco mais de paciência. A partir desse momento, passo a palavra a nossa ex-noiva Jacqueline:
      “Decidimos nos casar e a idéia era fazer uma lua de mel inesquecível. De preferência, algum roteiro pela Europa. Uma das nossas muitas semelhanças é a paixão pela corrida que, sempre que possível, praticamos juntos. De comum acordo, decidimos participar de alguma prova de corrida de rua no período da lua de mel e começamos a procurar provas com distâncias entre 10 km e meia maratona dentro do roteiro que sonhávamos. O plano era fazer da lua de mel uma aventura, algo único para nós. Assim escolhemos Budapeste, capital da Hungria, como o cenário da prova. Correríamos no dia 4 de setembro, às margens do Danúbio, na 26ª. Nike Budapest Half Marathon.
      Nos casamos em 20 de agosto e, no dia seguinte, partimos para Frankfurt, onde iniciamos nossa viagem mágica: Turquia (com Capadócia e Istambul), Grécia (Atenas, Ilhas Mykonos e Santorini) e Hungria. A prova aconteceria já no final de nosso tour. Apesar de todo encanto da lua de mel e da magia da nossa viagem, sabíamos da necessidade de alguns treinos e, se possível, um ou outro longão. E assim, surgia um novo desafio.
      A corrida faz parte de nossas rotinas. Sempre levamos nosso tênis e não perdemos uma só oportunidade para treinar em locais diferentes e desafiadores. Nosso primeiro treino aconteceu na impressionante Capadócia. Treinamos no entorno do hotel, onde nos hospedamos em Ürgürp, na província de Nevþehir. Saímos para correr por volta de 17h30, com o dia ainda claro e a temperatura beirando os 32º C. A Capadócia é uma região repleta de formações vulcânicas, excepcionais maravilhas naturais, cidades subterrâneas construídas pelos hititas para serem utilizadas como esconderijo.
      O percurso onde realizamos nosso treino causaria inveja ao nosso treinador José Virgínio, o Rei da Montanha, sócio diretor da JVM Trail Run. Não havia um único trecho plano e lá fomos nós ladeira acima e abaixo.
 
 
      No dia seguinte, partiríamos para Istambul logo pela manhã, com o dia todo livre e, era certo que correr estava novamente em nossos planos. Devidamente instalados no hotel, descansamos e esperamos o sol baixar. Em Istambul nesta época do ano, a temperatura mínima no final da tarde não é menor que 27ºC,
      Istambul é uma cidade singular, uma metrópole cortada pelo estreito de bósforo que marca o limite de dois continentes. Uma parte da cidade é Europa, a outra, Ásia. Cores, sabores, cheiros, sons se fundem num mesmo ambiente. Nas ruas mulçumanas, mulheres com burcas se misturam a garotas de minissaias, decotes e maquiagem extravagantes. Capital de dois impérios, o Bizantino e o Otomano. Uma cidade de extremos: Ocidente e Oriente; verão extremamente quente e úmido, inverno com neve. Metrópole agitada e apertada.
      Tínhamos mais um desafio a vencer: encontrar um espaço para correr em um lugar que já era difícil andar. Definimos um percurso que parecia tranquilo e com largas avenidas. Mas como Istambul é um grande mosaico, as calçadas largas e com pouca circulação logo desapareceram e deram lugar a ruas estreitas.  Com paciência, vencemos o trânsito de pessoas e carros, subimos e descemos, zigue-zagueamos e seguimos em frente.
 
 
 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
     
Na Grécia, esperamos o final da tarde para treinar. Seguimos para o Parque Nacional, que fica ao sul do Parlamento, com suas árvores, alamedas e fontes serviram como refúgio durante nosso treino.
      E quando o parque deixou de ser o cenário da nossa corrida, seguimos pela área externa e a nossa esquerda as ruínas do Olympieion, o Templo do Zeus Olímpico, construído em torno de 550 antes de Cristo. Deixamos Atenas e seguimos em direção às Ilhas Gregas, Mikonos e Santorini. Logo percebemos que seria difícil treinar em Mykonos: primeiro porque não havia sequer uma rua plana e, segundo, porque ali queríamos curtir a praia e o descanso merecido. E assim nosso plano de treinos ficou para Santorini. Precisávamos fazer o último treino. A Meia Maratona já era quase uma realidade.
 
      Em Santorini, seguimos em direção da vila de Oia. Lá, uma multidão se aglomera para assistir ao espetacular entardecer. Não é um por do sol comum, foi um dos mais lindos que já vimos em nossas vidas. O céu alternava os tons de azul, roxo, lilás, rosa e o sol, ainda enorme, descia lentamente para morrer no mar atrás da vila quase às 20h. As casas brancas, com telhados azuis, ficam banhadas por uma aura alaranjada. Diante disso, sabíamos que nosso treino em Santorini seria como nenhum outro.
      Saímos para correr no final da tarde, quando imaginamos que o calor não fosse nos castigar
tanto. Difícil descrever a emoção de treinar com a vista para a cratera e a ilha de Nea Kameni compondo o cenário. Santorini é o vulcão mais ativo do Arco Egeu.
      Em aproximadamente 1480 a.C., houve uma grande explosão sendo esta a maior erupção vulcânica que se sabe na história do planeta. A erupção originou a Caldeira, que o oceano tomou conta, sendo a única cratera abaixo do mar, rodeada pelos restos de seus flancos.
      No centro, surgiu a ilha de Nea Kameni, que é a extremidade superior do cone ainda ativo do vulcão. O treino foi duro, pois o calor ainda era extremo, por volta de 33º C as 19h,
      Chegamos em Budapeste já no final da tarde da ante-véspera da prova. A cidade é uma bela miscigenação dos povos que por aqui já passaram: romanos, turcos, austríacos. Budapeste teve de ser reconstruída diversas vezes, em função da guerra e ocupações. Budapeste prometia mais que uma simples corrida. Sabíamos que não seria fácil, afinal a temperatura não baixava dos 30ºC, mas sabíamos que seria uma emoção ímpar correr margeando o Danúbio.
      A Meia Maratona Internacional de Budapeste é um grande evento. Além dos corredores locais, a corrida reúne aproximadamente 1 500 corredores de 40 diferentes países. Neste ano, 12 brasileiros participaram da prova. Um único casal em lua de mel, com certeza.
      Já a 10 minutos da largada, suávamos a camisa com o sol massacrante. A primeira oferta de água só apareceu no km 8,5. Era minha segunda meia maratona. Já o Anderson é mais experiente em corridas de longas distâncias. Correu 4 maratonas, 3 internacionais e a última também na Disney. Têm mais resistência em provas como essa e me ajudou do começo ao fim, me incentivando, me puxando e me acompanhando e fazendo o meu ritmo.
      Havíamos combinado de que cruzaríamos a linha de chegada juntos, afinal era a “corrida da lua de mel”. Quando nós desenhamos nossas alianças – confeccionadas por um ourives – nosso desejo é que a joia representasse não somente a união, como também nosso amor e nossas paixões. Foi então que gravamos em baixo relevo as asas de Hermes, deus da mitologia grega, filho de Zeus e de Maia. Hermes entre tantos atributos, era mensageiro dos deuses, sobretudo de seu pai, Zeus. Possuía um par de calçados alados, o que lhe conferia velocidade e, algumas vezes, um chapéu alado.
      E tudo deu certo. Saímos vitoriosos após cruzar a linha de chegada com 2h13min05 trazendo conosco a bandeira do Brasil."
 

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