Triathlon: a expressão do belo contraste feminino

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Triathlon sempre foi considerado um esporte predominantemente masculino, afinal nadar, pedalar e correr são atividades desgastantes e que requerem força e muita dedicação. Entretanto, há alguns anos, temos visto o percentual de mulheres triatletas aumentar consideravelmente nas provas, sejam curtas ou longas, incluindo Ironman. E percentual este composto por um belíssimo contraste feminino: idades, raças, crenças, etnias, biótipos, profissões e objetivos. Mas por que isso acontece? Isto é, o que faz todas essas mulheres se dedicarem ao Triathlon?
A mulher atual, de uma forma geral, é aquela que dedica seu tempo à sua casa, família, filhos, trabalho, estudos e atividades sociais. Ou seja, se o tempo é curto e vale ouro, por que ela ainda opta por acordar de madrugada, abrir mão da hora do almoço ou ir à academia após todas as atividades cotidianas, para treinar? Afinal, ser triatleta é opção, é algo que escolhemos com o coração e jamais por obrigação. E por que fazemos essa escolha?
O Triathlon, nas suas três modalidades, pode ser a válvula de escape para muitas mulheres. Começar o dia com um bom treino de corrida para garantir a endorfina e o bem-estar para as horas intensas que terá pela frente, ou concluí-lo com um treino puxado de natação, de fato, é uma ótima maneira de extravazar o estresse, as preocupações, as chatices, o dia que foi ruim ou até aquela fugidinha da dieta.
Porém, acredito que para algumas dessas mulheres, esse deve ser também o local onde ela se reencontra e reenergiza. O momento do treino é dela: sem celular ou internet, sem obrigações de trabalho, sem os filhos em volta, enfim, é ela consigo mesma, assim como na prova. É o universo esportivo, aquele que traz realização, perseverança, confiança, bem-estar, disciplina, que se torna o “norte” de quem pratica. Pois é ali, na provação, na perna cansada, na cabeça que quer boicotar dizendo “que não dá”, na fadiga, que descobrimos o quão forte somos e que podemos ir além do que imaginamos.
É exatamente essa conquista que se torna um sustentáculo para as demais atividades diárias. Nas palavras da amiga e companheira de equipe Juliana Harrington: “se eu deixar de fazer tri, eu acho que vou me perder de mim, do que me sustenta. Porque é naquele momento de extremo cansaço físico, dor muscular, que eu ultrapasso as minhas muralhas. Se eu abrisse mão do Triathlon, eu abriria mão de mim, porque não faço Triathlon, eu sou triatleta.” (Obrigada Ju por me permitir tamanha reflexão sobre um universo tão mágico e vasto).
 
É esse ideal que une mulheres tão diferentes, nos lugares mais remotos do planeta: mulheres de raças, características, crenças, profissões, biótipos, histórias tão diferentes. São estudantes, trabalhadoras, mães, avós, filhas; umas mais atléticas, outras menos; quem bate cartão de sol a sol, quem têm horários mais flexíveis; cristãs, espíritas, agnósticas, muçulmanas. O Triathlon quebra barreiras e permite realizar sonhos, a exemplo da triatleta Shirin Gerami, que representou o Irã nos Jogos Olímpicos de Londres, ano passado, tornando-se, além da primeira triatleta iraniana a representar o país, também uma referência do poder do esporte na busca pela liberdade. Obviamente que Shirin teve que seguir algumas exigências do governo iraniano (principalmente no quesito do vestuário) mas, ainda sim, é uma conquista para ela, para as mulheres muçulmanas e para o esporte, quiçá a primeira porta para a realização dos sonhos das demais mulheres.
Nadar, pedalar e correr é mais que um esporte. É uma paixão que fortalece, se torna um pilar e lapida a mulher para o seu dia a dia. Competir até está nos seus planos, porém, competir com ela mesma. Ela não precisa mostrar a ninguém do que é capaz, porque todos já sabem. A triatleta quer mostrar a ela mesma que sempre poderá ir além e que não está só nessa jornada…outras tantas estão nesse exato momento fazendo o mesmo que ela, negociando com o relógio, abdicando de festas, cumprindo prazos, encaixando a sua planilha com os horários da família. E todas são felizes e realizadas com isso.
Bons treinos e até a próxima!
 
 
 

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