História do Jiu Jitsu – parte 1- Jiu Jitsu Antigo

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

By Tony Ferraz

O Jiu-Jitsu Antigo

Samurai e sua armadura

O Jiu-Jitsu ( 柔術, pronúncia-se em japonês “dju-djutsu”, literalmente “Arte Suave”, “Técnica Suave” ou “Arte Flexível”), também romanizado algumas vezes como Ju-jitsu ou Ju-jutsu (principalmente quando se faz referência a estilos tradicionais) é uma arte marcial originalmente japonesa, criada e desenvolvida essencialmente para servir como vantagem militar para as sucessivas guerras entre clãs no Japão feudal.
Como o Jiu-Jitsu não possuiu um desenvolvimento linear e organizado, mas foi fruto da necessidade e cenários distintos de diversos períodos históricos, existe muita confusão sobre sua origem. Muitas escolas antigas de artes marciais faziam coisas muito diferentes e enquadravam sob o nome de Jiu-Jitsu, assim como algumas realizavam coisas muito semelhante, mas davam a si mesmas nomes diferentes.
Algumas nomenclaturas utilizadas no Japão para essas artes eram: Taijutsu, Yawara, Judô (estilo marcial da era Edo, muito diferente do Judô atual), Kogusoku, Torite, Kenpo, Hakuda, Shubaku, embora sejam todas popularmente e tradicionalmente conhecidas genericamente como Jiu-Jitsu. Normalmente Kogusoku e Torite se referiam a métodos de captura, e Taijutsu e Judô geralmente se referiam a prática de luta corporal com armas e arremessos.
Genericamente, segundo Jigoro Kano, podemos dizer que todas são técnicas de ataque e defesa onde não se utiliza armas, ou apenas uma arma curta.
O número de escolas de Jiu-Jitsu existentes durante o período Edo, como sugerido no Nippon Kobudo Soran, era de aproximadamente 179, no entanto um cálculo pelo número de Propriedades Feudais (Han) do período apontam para mais de 300 escolas de Jiu-Jitsu.
Devido a generalidade da denominação “Jiu-Jitsu”, que era popularmente usada no lugar de arte-marcial, ou luta, a arte assumiu também os mitos referentes às artes marciais no geral, ou seja, uma origem embrionária Indiana, que migrou para a China e finalmente se desenvolveu no Japão.
Na escola Yoshin (Yoshin-ryu) fala-se de um médico chamado Akiyama Shirobei que foi de Nagasaki no Japão para a China, aprendendo Hakuda (técnica de luta tradicional chinesa) e quando retornou, criou o Jiu-Jitsu. Como essa versão é defendida por apenas uma escola, entre centenas, não é seguro afirmar que tenha sido esta a origem do Jiu-Jitsu.
O mito mais tradicional sobre a origem do Jiu-Jitsu relata que um homem chamado Chen Yuan Ping levou, no século XVII, as técnicas de Jiu-Jitsu da China para o Japão. Ele haveria ensinado três Ronin (samurais sem senhor) – Fukuno Hichiroemon, Miura Yojiemon e Isogai Jirozamon – que, inspirados pelos conceitos básicos, desenvolveram um estilo próprio de Jiu-Jitsu.
Foto antiga de um samurai
No entanto textos tradicionais japoneses mostram que Chen Yuan Ping levou apenas o Kempô ou Hakuda para o Japão em 1659. Livros chineses dessa época, mostram que essas técnicas consistiam basicamente de chutes e empurrões, o que torna difícil que essas técnicas tenham progredido diretamente para uma arte tão refinada tecnicamente quanto o Jiu-Jitsu japonês.
Além disso, outras escolas de golpes traumáticos já existiam no Japão antes de Chen Yuan Ping, já que acredita-se que o Takeuchi-Ryu de Kogusoku foi criado em 1532 e muitos textos do século XVII incluem as palavra “Yawara” e “Pegada” (Kumiuichi).
Por fim, existe a teoria que o Jiu-Jitsu começou na Era dos Deuses, e é uma invenção puramente japonesa, assim como o Sumô, que é a arte mais antiga do pais, remontando à época em que os habitantes ainda se encontravam em estágio indígena. Tendo em vista a cultura bélica do povo japonês e o fato de povos selvagens utilizarem em sua maioria técnicas de grappling, parece provável para mim, que as técnicas tenham evoluído a partir de um embrião de luta-agarrada, como o Sumô, que foi modificado durante séculos através dos conceitos chineses de Ju (suavidade).
A primeira menção escrita sobre o Jiu-Jitsu está presente no livro “Judô Higakusho” (Registros secretos do Judô), da era Edo (1600-1868) que afirma: “Grappling foi popular desde o período Esei (1504-20 A.D.)”.
Por todos estes fatos, segundo Jigoro Kano, é impossível determinar precisamente uma data de origem para o Jiu-Jitsu, o que se pode dizer com certeza é que ele evoluiu desde os tempos antigos através de muitas gerações, graças à genialidade de várias pessoas. No entanto não se acredita que ele tenha adquirido o apogeu de sua popularidade antes de meados do século XVII, ou seja, da época de Chen Yuan Ping.
Assim como o arquearia, a montaria e a esgrima, o Jiu-Jitsu ocupou na era feudal uma importante posição como arte entre os Samurais (Bushi), no entanto é errado pensar que os Samurais eram a única classe social praticante de Jiu-Jitsu. Havia cerca 718 escolas de esgrima, 148 escolas de técnicas de lança, e 52 de arco e flecha, mas pela ótica dos guerreiros antigos, o arco e flecha (kyojutsu) era a arte mais importante para o guerreiro e deveria consumir a maior parte do seu tempo de estudos. O arco era inclusive o prêmio dado tradicionalmente a campeões de Sumô após uma grande vitória.
A preferência pela espada só surgiu após a unificação do Japão na era Tokugawa (1603 d.C a 1868 d.C), onde os japoneses foram divididos pelo governo em quatro classes (samurais, camponeses, artesãos e comerciantes).
Nesta era, que foi basicamente um regime militar, cessaram as guerras entre clãs e paradoxalmente os Samurais, que haviam no passado sido de grande utilidade como guerreiros no campo de batalha, passaram a ocupar funções mais politicas. Os cidadãos comuns foram proibidos de utilizar armas, e somente os samurais exibiam na cintura duas espadas (Daishō – uma espada curta e uma longa) como símbolo de sua classe.
Durante este longo período de paz o Jiu-Jitsu realmente se desenvolveu no Japão. Já que não havia guerras, os Samurais dedicavam todo o seu tempo no desenvolvimento de suas artes (esgrima, caligrafia, pintura, poesia, cavalaria, etc), incluindo o Jiu-Jitsu. Como as visões sobre o que é realmente um combate são distintas, surgiram métodos bastante diferentes entre si. A rivalidade entre escolas também foi grande motivadora desta evolução. Por outro lado, a ausência de guerras fez com que infelizmente algumas escolas também desenvolvessem técnicas pouco próximas da realidade de um combate

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