Bate-papo com Adriano Ornellas (@ornellasbtt), faixa-preta de jiu-jitsu 3o grau: único paulista faixa-preta formado pela Brazilian Top Team (BTT) até hoje

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015




"O TREINO EFICIENTE significa TREINAR SUA DEFICIÊNCIA, é treinar REPETITIVAMENTE; é se colocar em uma situação desconfortável para poder sair dela"
Adriano Ribeiro Ornellas - professor de jiu-jitsu 3o grau - único faixa preta paulista formado pela BTT (Brazilian Top Team)
‪#‎OrnellasTeam‬


 Bate-papo realizado por Amanda Accioli, editora do Be More
@amandicaindica @BeMoreBlog   
E-mail: amandicaindica@yahoo.com.br          



Como começou sua história no jiu-jitsu?

Eu sempre fiz juô, desde os 7 anos de idade, mas por volta dos 20 anos, mais ou menos em 1994, fiquei louco quando li uma matéria na Revista Trip sobre jiu-jitsu e logo em seguida assisti uma luta do Rickson Gracie, e decidi que queria praticar a arte suave.

Comecei à treinar jiu-jitsu na academia onde eu treinava judô e lá o professor era da equipe Godoi-Macaco, e acabei ficando por lá uns 2 anos, e com a faixa azul, fui morar em Caraguatatuba e como lá não tinha professor de jiu-jitsu na época, comecei à dar algumas aulas e à me preparar para alguns campeonatos nos quais consegui também me destacar.

Depois fiquei muito amigo do Fernando Margarida e comecei à treinar com ele que já estava na Brazilian Top Team (BTT), isso por volta dos anos 2000. O próprio Fernando Margarida me incentivou para ir para a BTT. Como eu tinha acabado de ser tri-campeão paulista de jiu-jitsu e como o mestre Ricardo Libanório me viu competindo, acabei também sendo chamado por ele e pelos mestres Zé Mario Sperry e Murilo Bustamante à fazer parte do time da BTT.

Essa época foi um grande upgrade na minha carreira. Apesar de buscar patrocínio e tentando horários para dar aulas à tarde para poder comer, pois passava um sufoco financeiro, morava na favela na época, eu sentia que estava no caminho certo e evoluindo muito com esta grande oportunidade de estar treinando com os grandes nomes do jiu-jitsu, todo um legado de Carlson Gracie, atletas tops que eu só costumava ver nas revistas quando eu ainda estava em Caraguatatuba. De repente receber um convite para treinar com eles, foi simplesmente maravilhoso, uma grande honra, pois sei que não convidavam qualquer atleta á treinar na equipe BTT



Muitos professores de jiu-jitsu que vão morar fora do Brasil não voltam mais por conta das oportunidades, incentivos etc, porque decidiu voltar ao seu País?


Antes de ir para Abu Dhabi, eu tinha tentado vir para São Paulo, comecei dando aula da Runner, pois morando na praia eu não teria grandes perspectivas de crescimento. Depois de 2 meses dendo aulas lá, fui convidado à fazer o 5o camp da BTT, só que desta vez lá nos Emirados Árabes, aulas somente para estrangeiros pois eles confiavam muito em mim; eu não sabia mas acabei dando aula para os seguranças do grande sheik Mohamad Bin Sayed e dei aulas durante meses. Gostaram tanto de mim que depois voltei, com envio de passagem e visto para novamante dar aulas por lá.

Acabei voltando para o meu País pois eu realmente não gostava de morar por lá, por causa do calor, eles gostavam de ser muito bajulados e eu nunca consegui bajular ninguém, e esse é o País que realmente amo. Acreditava e acredito na minha competência para crescer no meu país e estando em São Paulo, que é a terra das oportunidades, tenho certeza da minha evolução e crescimento.



Quem foram seus mestres na sua trajetória e o que aprendeu de mais valioso com cada um deles fora dos tatames?


Comecei com os mestres Godoi e Macaco quando tinham uma equipe juntos, depois fui já faixa roxa com o mestre Fernando Margarida na BTT, depois sendo "adotado" pelos mestres Ricardo Libório, Zé Mario Sperry, Bebeo Duarte e Murilo Bustamente de quem recebi a faixa preta na BTT; tive muita gente que me ajudou e sou grato à todos, afinal o jiu-jitsu é muito mais que lutar, é também se socializar.

Treinei na época de ouro, vi lutas na academia que ninguém nunca vai ver no UFC, detalhe eu fazia parte destes treinos fechados uma grande honra - foi a época de ouro da BTT.



Como é lidar com alunos que, por tempos treinam e aprendem com você e quase ao final acabam mudando de mestre/academia recebendo a faixa preta de outro? Não é um pouco, digamos, frustrante? Isso já aconteceu com vc?

Sabe, dou aulas há muito tempo e meu coração acabou ficando preparado para ingratidões; às vezes você ajuda o cara e ele evolui ele bastante - já peguei muita gente que não sabia fazer fuga de quadril, se equilibrar, fazer rolamento, cair no chão - e fazer todo esse trabalho que, acreditem, é o mais difícil! Fazer todo esse trabalho de base, e depois quando o cara começa a ficar bom, dá uma evoluidinha, e te abandona sem ao menos um "obrigado".

Mas o que me é frustrante mesmo é nessa situação, a pessoa ser covarde, não te agradecer e não ir até você, te olhar nos olhos, ter um "cara a cara". Resumindo: é frustante quando um ser humano NÃO SABER IR EMBORA com dignidade.


O que me é muito gratificante, é ver ex alunos sendo hoje campeões ou recebendo a faixa-preta, e saber que fiz parte da evolução dele.



E a terceira idade pode praticar jiu-jitsu? Não existe um cuidado maior por conta dos movimentos que se tornam mais limitados nessa idade, ossos mais fracos etc, ou isso não conta?


Sabendo respeitar o limite de cada um, todos podem treinar! O professor precisa saber respeitar o limite, a individualidade de cada aluno; devem ser respeitados as diferenças de força e de peso, e assim poder adquirir todos os benefícios que o jiu-jitsu pode lhe dar: auto-estima, auto-controle, consciência corporal entre outros.



Como é para você um treino eficiente, ideal?

O TREINO EFICIENTE significa TREINAR SUA DEFICIÊNCIA; treinar REPETITIVAMENTE; é se colocar em uma situação desconfortável para poder sair dela.


Assistam:

Entrevista SportTV Abu Dhabi

Interessante entrevista do professor Adriano Ornellas sobre algumas dificuldades do ensino do jiu-jitsu nos Emirados Árabes diante da cultura do País:



Para ver mais momentos do prof Adriano Ornellas, adicione-o no Facebook e acesse o link: 

Contatos Prof. Adriano Ornellas:

Instagram: @ornellasbtt
Facebook: https://www.facebook.com/adriano.r.ornellas?fref=ts
Cel: 55-11-954977610



Treinando com os gigantes do jiu-jitsu Rodrigo NogueiraMario Sperry e Ricardo Liborio. :



Único PAULISTA faixa-preta formado pela BTT




Aulas nos Emirados Árabes



Muralha da China com os mestres Renzo e Royce Gracie





Campeao internacional master & senior 2008 CBJJ — em Tijuca Tenis Clube.



Com o mestre Fernando Margarida



Campeão Paulista Marrom


Na mídia




Com o mestre Zé Mário Sperry



Mestres Ricardo Libório e Fernando Margarida



Com Minotauro e Bustamante



Carta do Mestre do Mestre Ricardo Liborio indicando Adriano Ornellas para dar aulas na BTT em 2001



Com o mestre Ricardo Libório



Uma matéria muito interessante sobre o tempo do prof. Adriano Ornellas nos Emirados Árabes, e que estou reproduzindo aqui:





Abu Dhabi e a vida como ela é - um pouco mais sobre o período em que o mestre Adriano Ornellas ministrou aulas de jiu-jitsu, comentando os desafios de quem dá aula de JJ nos Emirados Árabes


O carioca Carlão Santos é um dos responsáveis por difundir a arte-suave no Oriente Médio. E é justamente dessa antiga região do planeta, com tradições culturais tão adversas e ricas, que está vindo um importante apoio ao Jiu-Jitsu. Na figura do Sheik Mohamad Bin Zayed, um grande admirador da modalidade, muito já foi feito.



Em Abu Dhabi desde 2002, entre outras ações, Carlão vem fazendo um trabalho de introdução do Jiu-Jitsu em 14 colégios públicos dos Emirados Árabes Unidos. Para isso, contratou professores brasileiros. Em 2005 levou dois, em 2007 mais três, e esse ano mais 16, totalizando até o momento 21 profissionais. No grupo há três mulheres: as cariocas Luana Neder e Tatiana Haritoff e a russa Lola Gulamova.



Um dos integrantes do grupo é o paulista de Caragutatuba Adriano Ornellas, campeão brasileiro na faixa-preta (2005,2006 e 2008) e campeão internacional máster e sênior em 2008. Contratado esse ano para trabalhar em Abu Dhabi, Ornellas já pegou pela frente nada mais que 500 alunos para dar aulas.



“Trabalho cinco vezes por semana viajo todo dia de Abu Dhabi para Alain, uma hora e vinte de viagem, dou sete aluas de 45 minutos e tenho um intervalo de 20 minutos depois, em outro intervalo para uma reza. Aqui eles rezam muito”, conta Ornellas. E as crianças dão trabalho. “Eles falam muito pouco inglês, por isso estou aprendendo árabe. Eles são como fio desencapado, não param um segundo sequer na aula”.

Nas praias de Abu Dhabi, saudades do Brasil e das cachoeiras

O esforço do professor, no entanto, é recompensado com os resultados da implementação de seu trabalho. “Tenho um aluno que no começo não conseguia fazer um rolamento. Hoje ele está aplicando duas quedas diferentes e aplicando armlocks. É muito gratificante ver a evolução deles. O que motiva aqui e ver a mudança de conduta de alguns alunos que estão realmente interessados em apreender Jiu-Jitsu. Me motiva pelo desafio, pois tenho que me comunicar bem com eles para poder dar uma aula maneira”, revelou o faixa-preta.

Adriano Ornellas posa com os fuzis da coleção do sheik Mohamad Bin Zayed

Tendo que se adaptar a uma cultura bastante diferente da ocidental, o paulista leva com bom humor as diferenças. “Qualquer parada aqui, você tá em cana, irmão”, diverte-se. “O choque cultural é tranqüilo, eu já esperava por isso. Por exemplo, aqui os homens andam de mãos dadas, as mulheres todas de burca preta estilo ‘ninja’. O mais difícil, para mim aqui, é a falta que sinto da minha mulher e as comidas do Brasil. As praias brasileiras e as cachoeiras”, disse Ornellas, que começou o Jiu-Jitsu na extinta Godói-Macaco e integrou a equipe BTT.

Fonte sobre a matéria de Abu Dhabi: GracieMag




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