Anderson Silva resiste a uniformes obrigatórios no UFC

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Patrocinado por marca diferente da parceira do UFC, lutador diz em entrevista ao Terra que "não vai ter verdade" se usar nova marca e cogita continuar com antigos uniformes



Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
  • Guilherme Dorini
Guilherme Dorini
Direto de Las Vegas (EUA)

Após 20 anos de existência, o UFC se prepara para uma das mudanças mais drásticas de sua história. Anunciado em dezembro do ano passado, a organização fechou um contrato milionário com a Reebok para a produção de uniformes para os lutadores, que serão obrigatórios a partir de julho deste ano. A decisão dividiu opiniões e não agradou Anderson Silva, um dos principais garotos-propaganda da competição, que volta ao octógono neste sábado, contra Nick Diaz, em Las Vegas, nos Estados Unidos.
A medida entrará em vigor a partir do dia 6 de julho, quando terá início a "International Fight Week", evento promovido pela organização em Las Vegas. Desta data em diante, incluindo durante as atividades da semana da luta, os atletas estarão proibidos de utilizar produtos de outras marcas que não os fornecidos pelo UFC em parceria com a Reebok."Eu não gosto dessa ideia. Quando você usa uma marca, ela precisa passar verdade, precisa existir uma ligação. Não tenho identificação nenhuma com a Reebok. Sempre usei Nike, mesmo antes de ter contrato. Não é porque acabou nosso vínculo que eu vou parar de usar. É uma verdade, uma marca que me identifico. Não adianta colocar uma marca que não tenha um relacionamento", disse o brasileiro em entrevista exclusiva ao Terra.
Anderson demonstra resistência em aceitar a ideia e, quando perguntado sobre a obrigatoriedade, mostra que Dana White, presidente do UFC, terá trabalho para convencer os atletas.
"Não vou usar porque não vai ter verdade, não posso passar para os meus fãs uma coisa que não é verdade. Sempre mando fazer meus uniformes e talvez continue usando eles. Ainda não renovei meu contrato com a Nike, mas não uso a marca por ser mais forte, mas sim porque sempre usei. Aliás, não só eu, mas toda minha família, só usamos Nike e Adidas", completou.
Sem as estampas de seus patrocinadores durante a semana das lutas, e o uso dos famosos banners, exibidos no octógono durante as apresentações dos lutadores, dava a entender de que os atletas perderiam receita com essa decisão. Porém, durante o anúncio oficial, Dana White fez questão de dizer que boa parte desse dinheiro será revertido para os atletas.

"Esse é o maior acordo fora da televisão que já fizemos e todo dinheiro que fizermos vai para os lutadores. Todo o dinheiro. Todo o dinheiro que fizermos em seis anos vai para os lutadores. Tudo o que vendermos com o nome de um lutador, ele recebe 20% do lucro", explicou o chefão do UFC.

Sobre a melhora de receita dos lutadores, Anderson tentou ver um ponto positivo do acordo, mas defendeu o livre arbítrio. "Pode ser que venha (a melhorar) mais para frente, ter alguma coisa positiva (...) Deveria existir o livre arbítrio: quem quer usa, que não quer não usa", finalizou.

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