Bate-papo com Mestre Aldo Araújo na coluna do BJJForum

domingo, 23 de novembro de 2014



Mestre Aldo Araújo

O BJJForum fez uma entrevista com mestre Aldo Araújo, faixa coral de jiu jitsu  e aluno direto da lenda do judô/jiu jitsu Sensei Takeo Yano (veja um relato sobre Takeo aqui: http://bjjforum.com.br/takeo-yano-mestre/). Mestre Aldo tem 75 anos e continua ativo e ensinando jiu jitsu em Pernambuco.
É uma linhagem completamente diferente das que estamos acostumados a ver pois sua origem NÃO é Mitsuyo Maeda e sim Takeo Yano. Mestre Aldo nos brinda com um excelente relato onde nos conta sobre como era aprender diretamente de um japonês quando a arte marcial jiu jitsu como conhecemos hoje não existia e em um mundo completamente diferente do  nosso, fala como foi rolar com mestre Hélio Gracie e muito mais!
Confira!
Olá a todos aqui quem fala é o Mestre Aldo Araujo, nordestino e pernambucano faixa-coral oitavo grau com mais de 60 anos de Jiu-Jitsu.
É um prazer conceder essa entrevista ao amigos do BJJ Fórum.
BJJF: Qual a escola marcial de Takeo Yano?
Mestre Aldo: Bom, primeiramente ele não falava muito bem português então era muito difícil ter conversas sobre a origem dele, mas sabe-se que a escola de que ele veio é a Botoku kai (algo assim). Não sei se ainda existe.
BJJF: Como e quando veio para o Brasil?
Mestre Aldo: Esse é outro mistério, provavelmente no final da década de 40. Sei que ele não veio diretamente para o Recife quando chegou ao Brasil, o conheci em 1952/1953.
BJJF: Como eram os treinos com o mestre Yano?
Mestre Aldo:Muita disciplina, um pouco de ignorância e principalmente sabedoria. “Takiano” como chamávamos era muito gente boa, mas somente fora do tatame (que na época era de esteira, feito de palha). E eu acabei adquirindo tal personalidade também. Sempre passo para meus alunos que dentro do tatame tudo muda. Do gogó pra baixo tudo é pescoço!
BJJF:  O senhor tem conhecimento de como era a seleção para a Kodokan? Como eram escolhidos os mestres a propagar a arte no mundo?
Mestre Aldo: Desconheço. Como disse antes era muito difícil ter algum tipo de conversa com ele, o idioma prejudicava bastante.
Mas ele parecia ter vindo por conta própria, acho que na época alguns japoneses viram no Brasil a oportunidade de viver bem através das artes marciais. Ele não foi o único. Dizem que era policial e veio para uma missão no Brasil e acabou ficando.
BJJF:  Mestre Yano se referia a arte como judô?
Mestre Aldo: Sim. Mas aqui no Brasil já chamávamos de Jiu-Jitsu. Ele acabava chamando das duas formas.
BJJF: Como era a metodologia de treino do mestre Yano?
Mestre Aldo: Bastante rigoroso. Hoje vejo os praticantes fazendo 10 vezes um exercício e param achando que já é o suficiente, mas na minha época o mestre mandava fazer 50, 100, 200 vezes! Eram menos posições se comparado ao jiu-jitsu de hoje, repetíamos muito!
BJJF: Mestre Yano fundou algum dojo como fez Maeda?
Mestre Aldo: Éramos associados na federação de pugilismo que era quem regulamentava a maioria das artes na época. Conhecíamos a academia que ficava por trás do prédio dos Correios no centro do Recife como “Seguradora”, mas creio que ele tenha fundado sim só não sei se foi no Recife, afinal ele também morou anos em Natal, Fortaleza, Minas e se não me engano também em Salvador.
BJJF: Como é sua aula atual?
Mestre Aldo: Eu prego pelo básico e pela finalização sem muita firula. Sou de uma geração de brutamontes, tínhamos de pegar certo na primeira oportunidade, por isso sou viciado em finalizações.
Meu treino se resume a aquecimento curto, quedas no início e posições de chão após. E é claro por final os pegas.
BJJF: Como o senhor vê a evolução do jiu jitsu?
Mestre Aldo:Virou um esporte profissional, mas vejo muitas lutas feias, travadas, sem quedas, etc.
BJJF: Como Takeo via a fama e a historia que os Gracie contam sobre o jiu jitsu?
Mestre Aldo: Muito difícil saber o que ele achava dos Gracies ele era de poucas palavras. Dentro do tatame falava somente sobre posições e fora dele era com seu whisky e o cigarro nas mãos. Somente alguém mais íntimo para saber.
BJJF: Quais as diferenças entre o Jiu Jitsu/Judô de Yano e a dos Gracie?
Mestre Aldo: Eu tive a oportunidade de morar no Rio por duas décadas, abri lá a Academia Pernambucana de Jiu-Jitsu e Academia Jigoro Kano.
Certa vez o Hélio Gracie chegou lá com mais dois caras para saber quem estava dando aulas, me apresentei (eu era preta segundo grau) e treinamos um pouco. Fui convidado a dar aulas no prédio em que os gracies tinham várias salas, fui por um tempo, mas deixei de ir por motivos pessoais. Enfim, puder notar que no final das contas era a mesma arte marcial, sendo que Hélio aperfeiçoou a parte de chão. “Takiano” também gostava muito do chão se referia como newasa.
BJJF: Qual sua participação no jiu jitsu de Pernambuco?
Mestre Aldo: Eu sou da geração de Jurandir Moura, Euclides Pereira, Ivan Gomes, Hilário Silva, Waldemar Santana, Fidelão, entre outros. Participei no extinto TV Ringue Torres o maior evento de vale-tudo da época, treinei muita gente que já subiu naquele ringue. Haviam poucas academias no Recife, apenas a minha, a de Jurandir Moura e de Zé Maria. Hoje atuo como diretor técnico na FJJ-PE/CBJJ. Faço parte dos mesários nos exames de faixa da federação juntamente com Derval Rêgo, o presidente.
BJJF: Como o senhor vê a evolução do jiu jitsu em pernambuco?
Mestre Aldo: Falta muito para evoluir como outros estados.
Foi um prazer ceder essa entrevista, obrigado ao envolvidos, um abraço!

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