Voo Livre: Um Mundo de Azul e Verde

terça-feira, 28 de outubro de 2014


Nós do Blog Be More estamos muito felizes pois damos início a uma nova coluna: Voo livre
E para falar sobre este esporte tão espetacular, convidamos o Silvio Ambrosini - Sivuca - como é conhecido - um dos primórdios do voo livre no Brasil.
Sivuca  - é um piloto experiente, instrutor de voo livre, escritor, fotógrafo, entre outras tantas atividades que ele realiza.

E, para começarmos, passamos a palavra a ele:


E então, num lindo dia de sol vou ao meu encontro no topo de uma montanha. Respiro profundamente enquanto contemplo o universo ao meu redor. A vista se perde no horizonte longínquo, abaixo de meus pés, o verde acariciante da grama.

Inspiro fundo e sinto o ar frio passeando pelos meus pulmões, nada desse lado, nada daquele lado, então tomo um impulso dou alguns passos e me lanço no vazio.
A velocidade aumenta e sinto o vento acariciando minha pele e balançando minha roupa. Exceto pelo som do vento, estou cercado de silêncio por todos os lados. Olho para baixo e vejo o verde, olho para cima e vejo o azul. É essa imensidão e ao mesmo tempo pequenice, verdadeira simplicidade de verde e azul que me engrandece. Estou longe longe de todas as coisas e só o vento é meu amigo.
 
Estou voando de parapente!
 
Acabei de decolar da montanha e agora estou confortavelmente instalado em minha cadeirinha pendurado por um punhado de linhas tão finas que me assustam, mas estou seguro! Sou capaz de decidir para onde irei e agora que estou subindo junto com alguns pássaros, enquanto me aproximo das nuvens que aumentam de tamanho sobre minha cabeça.

Aqui está fazendo mais frio, mas vim agasalhado e o conforto de minhas vestes é meu aconchego nesse mundo onde sou só um ponto no espaço.

Alcanço a nuvem, aproximo-me de sua base como se ela fosse um teto de verdade logo acima de minha cabeça. Ao longe vejo uma cidadezinha e logo, decido ir naquela direção. Agora estou planando suavemente. Olho para cima e vejo o pano que  que lenta e delicadamente balança de um lado para outro como um barco navegando sobre as águas. Abro os braços e acolho essa solidão deliciosa que me faz lembrar o quanto estou vivo no centro de uma imensidão de azul que toca delicadamente numa imensidão de verde.

Voar de parapente é experimentar uma sensação única. Estar distante de qualquer objeto, pendurado no céu, sem nenhum som a não ser o vento suave é uma catarse que vem transformando milhares de pessoas comuns nos sete continentes em voadores fanáticos e assíduos. Creio que esse encontro com o quase-nada, com essa simplicidade dos dois tons; o azul do céu e o verde do chão lá embaixo, nos eleva até um tipo de grandeza que raramente pode ser reproduzida de outra forma. É por isso que eu voo, é por isso que o parapente me faz voltar para lá.

O parapente é voo livre, parece com um paraquedas, mas você decola da montanha como fazem as asas delta. Ele plana nos ares e permite que você fique voando quase pelo tempo que você quiser.
Para aprender a voar de parapente, você precisa procurar uma escola certificada e estar preparado para dispender cerca de dez mil reais em equipamento. Uma pechincha se considerarmos que o parapente é a mais barata das formas de voar. Apesar de ser a mais barata é uma das mais deliciosas, pois é justamente a exposição do piloto ao ambiente, ao invés de estar cercado de metal, que é responsável pela incrível sensação de liberdade que o voo de parapente pode nos proporcionar.

Navegando ao sabor das ascendentes térmicas, é possível percorrer grandes distâncias, sem nenhum motor, só utilizando o conhecimento acumulado através dos repetidos voos que ajudam a construir nossa experiência, junto com os cursos que vão gradualmente consolidando nossa habilidade para lidar com as mais diversas situações que a vida de piloto enfrenta no seu dia a dia.

Desde um simples voo de final de dia para contemplar um cinematográfico mergulho do sol no horizonte, passando por incríveis voos de longuíssimas distâncias, desafiantes competições e até mesmo o fantástico mundo das acrobacias aéreas podem ser experimentados pelo piloto de parapente.
Uma máquina que não pesa mais que vinte quilos e cabe dentro de uma mochila, podendo ser levada facilmente no porta-malas de um carro ou até dentro de um ônibus ou em uma moto faz do parapente o mais versátil de todos esportes aéreos.

Dá para pensar a respeito?




 
 
 
Texto de Silvio Carlos Ambrosini, o Sivuca. Piloto e instrutor de parapente desde 1990, quando o esporte só trazia os “loucos” para si. Hoje o esporte evoluiu e está muito mais próximo de qualquer pessoa que esteja disposta a trazer uma fantástica quebra de rotina para sua vida.

 

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