Diário da Jacque: Uma história de superação em cada quilômetro

quinta-feira, 9 de outubro de 2014


No meu ultimo post sobre como iniciei minha vida de corredora eu contei um pouquinho sobre o furacão que foi e é a corrida na minha vida. Hoje, depois de mais de 5 anos correndo e muitas histórias de superação, confesso que ficar sem correr para mim é no mínimo desafiador.
Na minha atual condição – a de “gestante” treinar todos os dias seria quase um pesar, afinal, por maior que seja o prazer, o excesso de peso e o cansaço são fatores determinantes na quantidade de treinos realizados na semana.



Desde que comecei correr eu sempre treinei muito. No início, logo depois da minha primeira corrida como pipoca eu tratei logo de procurar uma Assessoria Esportiva para ter um direcionamento, afinal correr é simples e democrático,  mas é preciso orientação.

Meu primeiro treinador foi o José Virgínio – nosso colunista e hoje, grande campeão de corridas de montanha.

Na ocasião, o Virgínio (como eu o chamo) estava iniciando sua vida nas montanhas e ainda participava de algumas provas de rua – tinha acabado de montar sua assessoria esportiva e, lá fui por indicação da minha amiga que me levou para esse mundo – a Ingrid (hoje esposa do Virgínio e mãe da Sofia) – e comecei a treinar com JVM Trail Run.

O Virgínio meu grande mestre. Foi o cara que me ensinou a correr – eu achava que corria certo mas hoje, quando eu lembro como eu corria, penso que eu parecia mais uma “ema”, que corria jogando as pernas para o lado, cruzando os braços na frente do corpo - lastimável.
Foram tempos duros e muito felizes. Muitos treinos educativos: “levanta esse pé”! “Olha o braço!” “O movimento do braço tem que ser como um pêndulo!” “Pega a madeirinha e faz 8 chegadas com ela!”
A madeirinha era um tipo de... acho que posso chamar de instrumento educativo que o Virgínio utilizava que me ajudou muito. Era uma “madeirinha” para cada mão – com um furo central numa das extremidades, onde é possível encaixar o dedo médio para que fique firme na mão e assim auxiliavam a correr com os braços na posição lateral, fazendo o movimento de pêndulo, pois se você leva o braço a frente cruzando, com a “madeirinha” você se atrapalha e acaba batendo as madeirinhas.



















Foram anos de madeirinha até entender como é que eu devia correr.
Foram anos de bola na USP (a bola é o local onde o Virgínio instala os equipamentos e nutrição da assessoria na USP – é seu ponto) e muita perseverança do meu treinador.
O resultado foi excelente – hoje eu posso dizer que sei correr e tento ao máximo fazer os movimentos que o Virgínio me ensinou lá no início da minha jornada de corredora.
Até hoje, toda prova que eu participo, todo treino que faço, vem na minha mente os direcionamentos do Virgínio sobre abrir a passada, levantar o joelho, olhar para a frente, cotovelo, etc, etc, etc....

Comecei como todo mundo começa na corrida: aos poucos correndo 5K... Entretanto, queria mais e mais e mais...
Não me contentei em iniciar lentamente e progredir aos poucos. Quando digo que o “bichinho” da corrida me picou, a visão que tenho quando faço um retrospecto da minha vida de corredora é exatamente nesse sentido figurado: É como se um inseto tivesse me picado e com isso eu começasse a correr alucinadamente sem parar.

Treinava com o Virgínio 3 vezes na semana: terças, quintas e sábados na USP – sendo os dois primeiros dias a noite e aos sábados pela manhã. Seguia a planilha que ele mandava e sempre fazia mais.
Eu me sentia tão bem, a endorfina estava me viciando.
O problema é que saí de uma vida sedentária, era fumante e não tinha o mínimo preparo muscular para sair do zero e partir para uma avalanche de exercícios de alto impacto. O Virgínio costumava dizer que eu saí do mundo das drogas (o cigarro) para o mundo dos esportes (a corrida)  – e a analogia é mais ou menos essa mesmo.
E eu não ouvia meu técnico. Queria somente correr, porque aquilo me fazia um bem enorme. E assim comecei a treinar duas vezes por dia – corria praticamente todos os dias. Treinava pela manhã e a noite e todo final de semana participava de uma prova sendo a grande maioria de 10K – eu já não queria mais provas curtas de 5K.

O Virgínio no papel de técnico sempre me avisou. Ele dizia que eu deveria fazer fortalecimento muscular, que deveria curtir mais as provas e comemorar mais minhas conquistas, de modo que eu corria uma prova todo final de semana e com isso realmente não conseguia curtir meus resultados e minhas conquistas e corria... corria alucinadamente como se não houvesse um amanhã.
Foram seis meses de provas incríveis, de treinos, diversão, amigos, mudanças de comportamento e de muitos quilômetros.
 
Minha paixão pela corrida nasceu não somente pelo vício da endorfina, mas porque o benefício maior foi além das pistas. A corrida me deixou bem humorada. Me ajudou a ver mais possibilidades e menos “nãos”!
A corrida me colocou no “prumo” – me ajudou a ter mais foco, com o grande benefício de perceber que, com disciplina, determinação, força de vontade e treino tudo seria possível. E eu levei isso para minha vida.  São muitos os aprendizados tirados dos treinos, das provas e de cada quilômetro rodado. Aprendemos a respeitar alguns limites e a superar muitos outros.

E foi assim que eu tive minha primeira lesão – uma fratura por estress nas duas canelas. Lesão comum entre os corredores, no meu caso causada pelo “over trainning” e uso do tenis errado.
Os meses que seguiram após a constatação da lesão foram difíceis, duros e de muita perseverança para que eu não desanimasse e não desistisse do que me fazia tão bem.
Foram meses de descobertas onde eu pude contar com uma ajuda incrível para superar tudo isso!
Sobre o grande responsável e maior incentivador na minha recuperação e o meu primeiro incrivel desafio que seguiu após a lesão eu conto pra vocês no próximo post. Sentem que lá vem quilômetro.


Até lá!

Bjo.

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