Bate-papo com Waldir Ribeiro, atleta que venceu o 1o Campeonato Brasileiro de Parajiu-Jitsu em duas categorias

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Com apoio do Instituto Acqua e Kimonos Dragão, Waldir Ribeiro se prepara agora para a disputa de campeonato mundial em novembro

Com uma história de superação pessoal, o atleta Waldir Ribeiro sagrou-se campeão brasileiro de parajiu-jitsu em duas categorias na primeira competição nacional para Pessoas com deficiência realizada no sábado (27/09), em Santo André. A próxima meta é o campeonato mundial, que acontece em novembro.
Vamos ao descontraído bate-papo que tivemos com ele???
Para contato direto com o atleta (apoios, patrocínios etc): waldir.ribeiro@gmail.com 
Um forte abraço,
Amanda
Instagram: @amandicaindica   
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Bate-papo com Waldir Ribeiro
Atleta de Parajiu-jitsu
por Amanda Accioli





                                                   Foto motivacional de Waldir Ribeiro           



Quando você decidiu fazer jiu jitsu e como foi a adaptação ao esporte?
Comecei a praticar Jiu meio que por acaso. Jogava basquete sobre rodas em São Bernardo do Campo e comecei, também, a fazer natação para perder peso pois uso muletas pra me locomover e não podia ficar pesado. Resolvi subir os três andares da academia onde nadava pra ver os amigos praticando Jiu Jitsu. Gostei da arte e tomei coragem pra falar com o mestre Vagner Fernandes Curió. Quis saber se era possível adaptar aqueles golpes pra uma pessoa com deficiência pois queria praticar. O mestre me disse: “O Jiu Jitsu é adaptação, este foi o intuito do criador do jiu jitsu brasileiro, você consegue adaptar ao seu estilo. Seja bem vindo”. A partir daí pude sentir uma considerável melhora física que me ajuda a manter a qualidade de vida.


Há quanto tempo você luta?
Pratico Jiu Jitsi há três anos mas estou envolvido com esporte há mais tempo


Você treina em Ribeirão Pires né?
R.  Sim, eu moro e treino em Ribeirão Pires.


Que apoios você tem?
O incentivo principal vem da família. Com relação a patrocinadores ou apoiadores, a dificuldade é grande como em qualquer esporte. Atletas sem deficiência, que já possuem um grande espaço para praticar seus esportes, têm dificuldades em conseguir apoiadores, imagine para um atleta com deficiência. Disputei vários campeonatos e consegui apoio específico para alguns deles. Atualmente conto com o apoio da Kimonos Dragão (que fornece os kimonos que preciso) e do Instituto Acqua (que me apoia financeiramente – inscrição, alimentação, material esportivo, etc).


Treina onde?
R. Treino em Ribeirão Pires na Academia Vagner Curió do Mestre Vagner Fernandes.


Me conte um pouco da sua história. Como você ficou deficiente, que força o esporte te dá pra superar as adversidades e como foi sua história até chegar ao título brasileiro.
Nasci no Paraná e fui atingido pelo vírus da poliomielite (paralisia infantil) aos cinco meses de idade. Fiquei com sequelas motoras nos membros inferiores. Passei minha infância, até os 15 anos, num semi internato para crianças com deficiência física na cidade de Jacarezinho (interior do Paraná), onde aprendi a me virar, desde cedo, em um mundo sem acessibilidade. Terminei o ensino médio e comecei a trabalhar aos 18 anos. Casei, me tornei pai e morei na mesma cidade começando, inclusive, a faculdade.
Recém-divorciado resolvi vir pra São Paulo, em 2005, para tentar melhorar a vida trabalhando em empresas maiores. Me assustei um pouco com a grande metrópole pois não conhecia ninguém e, sendo uma pessoa com deficiência, percebi que a mobilidade seria um problema. Não desisti e em uma semana já estava trabalhando e com a faculdade transferida para São Paulo. Mas ainda faltavam os amigos. Conheci o pessoal do basquete sobre rodas, me enturmei e cheguei a disputar a Liga de Basquete sobre Rodas. Viajávamos bastante fazendo apresentações e em uma dessas viagens conheci minha atual esposa, uma pessoa primordial na minha vida, muito integra sobre todos os aspectos e me ajudou a ser quem sou. Minha ida para o Jiu Jitsu tem a influência do filho dela que pratica e segue a filosofia desta arte. Não pude concluir a faculdade por falta de acessibilidade no transporte público.
A pessoa com deficiência física tende a ter atrofia muscular com o passar dos anos. Pude perceber que esse esporte está fazendo com que eu consiga manter a musculatura e melhorar muito a postura corporal.
Desenvolvo um trabalho, junto com minha esposa, de inclusão social da pessoa com deficiência, através de palestras e voluntariado na idealização e execução de projetos voltados para esse segmento. O esporte é uma das vertentes desse trabalho e, como percebi que o Jiu Jitsu foi criado para ‘abraçar’ a todos decidi dar continuidade ao trabalho usando essa ‘arte’ para chamar a atenção. Há dois anos achei que já estava preparado e comecei a competir em campeonatos que ainda não tinham pessoas com deficiência disputando, portanto, luto com pessoas sem deficiência. Já participei de 04 campeonatos internos (de academias) e 12 campeonatos abertos com os seguintes resultados:
Ø  3º lugar Shopping Global de Sto André,
Ø  1º lugar Seletiva de Atibaia p/ o Estadual Paulista,
Ø  2º lugar na final do Estadual Paulista,
Ø  3º lugar Brasileiro 2013 em São Paulo,
Ø  3º lugar Mundial 2013 em São Paulo,
Ø  1º lugar Seletiva Gramado/RS p/ Abu Dhabi 2014,
Ø  1º lugar na Categoria p/ Pessoa com deficiência e 2º lugar na Categoria para Pessoa SEM deficiência na 2ª Taça Brasil de Submission 2014 em São Paulo,
Ø  3º lugar Brasileiro 2014 em São Paulo,
Ø  3º lugar Sul Americano 2014 em São Paulo,
Ø  3º lugar Pan Americano de Artes Marciais 2014 em Sta Izabel/SP,
Ø  1º lugar Brasileiro Parajiu-Jitsu (Peso + Absoluto) em Sto André
Superando as dificuldades de locomoção por falta de acessibilidade nos espaços públicos e passando por cima das barreiras atitudinais, acredito que estou colaborando para mostrar que ‘somos iguais diante das nossas diferenças’. A realização do 1º Campeonato Brasileiro de ParaJiu Jitsu é um marco para nós, que pode nos levar ao patamar olímpico, mas não nos impede de participar de outros eventos não específicos.


Até onde você quer chegar no jiu jitsu?
Quero continuar competindo, me graduar com a faixa preta e levar esse esporte as crianças, principalmente as crianças com deficiência que ainda estão excluídas.


Agora em setembro de 2014, você disputou o 1o Campeonato Brasileiro de Parajiu-jitsu. Como foi a disputa?
Foi um final de semana muito gratificante. Disputei o 1º Campeonato Brasileiro de Parajiu-Jitsu. Foi o primeiro evento na história do Jiu Jitsu (e do mundo) voltado exclusivamente para atletas com deficiência, organizado pela recém criada CBPJJ (Confederação Brasileira Paradesportiva de Jiu Jitsu). Me consagrei como o 1º Campeão Brasileiro da categoria até 95 kg faixa azul e também o 1º Campeão Brasileiro da categoria Absoluto faixa azul. Foi um dia marcado pelo respeito e fraternidade, com a presença de pessoas que valorizam a Arte Suave do Jiu Jitsu que vieram de várias cidades do Brasil e do exterior.


Quantas lutas você fez?
Foram 3 lutas. As duas primeiras na categoria de peso, vencendo um atleta de São Paulo e um da Argentina. Na categoria absoluto venci um atleta também de São Paulo.


Seus adversários eram bem ranqueados?
Por ter sido o primeiro campeonato específico para atletas com deficiência não há um ranking, mas a maioria dos atletas, assim como eu, já disputaram vários campeonatos nacionais e internacionais nos eventos para todos os atletas.


Foi título brasileiro né?
Sim, o título é de Campeão Brasileiro. Existem outros campeonatos (estaduais, brasileiro, mundial, etc), organizados por outras confederações, mas específico para os atletas com deficiência esse foi o primeiro.


E agora, qual são suas metas?
A meta atual é sempre o próximo campeonato. Recentemente fui convidado para participar de uma competição que será realizada em São Leopoldo/RS, através da Federação Gaúcha de Jiu Jitsu que tem um projeto chamado JIU JITSU +. Esta Federação incluiu a categoria ‘atletas com deficiência’ junto com as demais categorias do campeonato, dando ao atleta a oportunidade de escolher onde quer lutar. Tentarei buscar mais apoio para participar deste evento.
Já temos agendado o 1º Campeonato Mundial de ParaJiu Jitsu, que acontecerá em Santo André, em 29 de novembro de 2014.
Quero, também, continuar desenvolvendo meus projetos de inclusão social



Qual a mensagem que você deixa para aqueles que sofrem de alguma deficiência e acham que por isso não irão lograr êxito em seus sonhos e objetivos?
Você deficiente que está em casa sem perspectiva de vida, e não sabe o que fazer, não espere que as coisas caiam no seu colo, vá a luta. Faça de sua deficiência um trampolim para superar todos os obstáculos e não a use como um empecilho. Estude, faça um curso superior, arrume um trabalho, o mercado hoje está bastante favorável a Pessoa com deficiência e faça qualquer tipo de esporte, não poderia deixar de fazer meu merchandising, dê preferência ao Jiu JItsu e/ou o Parajiu-jitsu. 


Abraços!!!



Abaixo alguns momentos de Waldir Ribeiro:

Waldir Ribeiro
Waldir Ribeiro 2






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