Bate-papo com Ana Maria "Índia" - a guerreira brasileira dentro no MMA

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Hoje quem vai deixar um pouco aqui de sua história é a Ana Maria "Ìndia" atleta e ser humano da qual sou fã (admito mesmo! rsrs)

 A Ana Maria Gomes Soares, mais conhecida como Ana Maria Índia é lutadora de MMA (Mixed Marcial Arts - a antiga luta livre), e ela é uma das representantes brasileiras no esporte mais conhecidas. 


Ana Maria recebeu o apelido de Índia, pois para treinar e participar das lutas, ela usa tranças, que deixam os cabelos mais firmes e não atrapalham em cima do ringue. No dia a dia, ela gosta de usar acessórios rústicos que lebram artigos indígenas.

Dona de um apetite incansável quando se trata de treinos e lutas, guerreira nata, mas um doce de mulher, e me encantou desde sempre pois em todo lugar que a encontro, sempre com um sorriso no rosto, solícita  e amiga!

Parabéns amiga e muito obrigada por me conceder este bate-papo!

Um beijo enorme à você e à todos que irão ler por aqui,

Amandica
Amanda Accioli
@amandicaindica  (IG)

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Como começou sua história no Jiu-Jitsu? Gostaria que você nos contasse um pouco de sua trajetória: com que idade começou, equipes etc. E também que nos conte, qual foi o momento em que você resolveu migrar para o MMA?

Comecei a treinar jiu-jitsu com 20 anos de idade quando me mudei para Marília no interior de SP. Sempre fui uma criança hiperativa, daquelas que gostava de brincar quem bate mais forte, quem derruba, mas nunca tinha tido acesso ao esporte. Trabalhei no shopping, como modelo, nada a ver com esportes. 

Saí de casa com 15 anos e fui morar em Aracajú e lá corria 15 km para chegar até a praia, fazia preparação física com o pessoal do kick boxing, só por ser louca e hiperativa mesmo...rs. E aí todo lugar eu morava eu procurava uma academia para poder gastar toda essa energia e qdo cheguei em Marília não foi diferente, entrei na academia para fazer capoeira e em outra outra academia onde eu queria fazer musculação só que lá tinha jiu-jitsu e eu fiquei encantada, e pensava - "nossa quero fazer isso também", era um tal dos caras pequenos jogando os grandões para cima e eu achava aquilo o máximo! Juntei um dinheiro, comprei meu primeiro kimono, com 3 meses comecei à competir, meu primeiro campeonato foi demais e pensei: -"quero fazer isso para sempre". 

Fazia faculdade de noite e treinava de dia, e de noite já não conseguia mais prestar atenção nas aulas, pois ficava repassando os golpes na cabeça, pensando como eu faria melhor tal estrangulamento etc; comecei à treinas 3 x por dia...e foi assim que comecei!

Minha primeira equipe foi Carlson Gracie em Marília, só que depois de 2 anos fiquei grávida e voltei para a Bahia para ter minha filha; fui competir em Salvador, ganhei uns campeonatos lá e pensei -"é isso mesmo o que quero fazer", e depois de 4 meses que eu tive minha filha, voltei à competir. 

Nessa época eu ainda era faixa branca. Em Salvador achei a equipe Combate que era a melhor das que eu tinha passado por lá, com treinos específicos; prestei vestibular em Salvador para Educação Física, passei e comecei à fazer e à competir também os campeonatos baianos e no Nordeste todo e a Combate era uma filial na verdade da Brazilian Top Team em Salvador; A BTTera a equipe do Minotauro em Salvador e qdo fui competir a 1a vez no Rio eu jé era BTT, faixa azul, quando lutei o 1o Campeonato Brasileiro. Fui até a marrom na BTT, já no Rio de Janeiro e na época que era marrom eu gostava muito de competir e na época não tinha mais uma equipe de competição de jj na BTT e comecei a ficar desesperada. 

Na época Minotauro e Minotouro sairam para abrir a Team Nogueira; conversei com eles se poderia treinar MMA na Team Nogueira e Jiu Jitsu na Checkmat e eles falaram que tudo bem, tanto o Ricardinho da Chaeckmat tb, e foi lá que peguei a faixa-preta, na Checkmat. Continuei lutando e comentindo jiu-jitsu e MMA-foi uma migração normal.

Quando resolvi sair da Checkmat fui num Mundial pois tiraram meu nome do absoluto, tinha muita menina para lutar o absoluto e colocaram uma gringa faixa marrom no meu lugar e e fiquei muito chateada com isso; mesmo eu tendo acabado de operar o joelho e ela estava em ritmo de competição, não me conformei, fiquei louca mesmo, ainda mais ela sendo faixa marrom e por isso fui procurar outra equipe. Assim procurei o Júlio da GFTeam.

Minotauro fez um evento de MMA em Vitória da Conquista na cidade dele, e aí fui acompanhar a equipe, e aí vendo o pessoal treinar MMA (na época eu era fissurada pelo jiu-jitsu de kimono) mas me apaixonei pelo MMA. Daí fui treinar boxe, jj sem kimono, wrestling, enfim...treinava o dia todo. 

Era pauleira o ritmo de treinos, jiu-jitsu, MMA, preparação física, mas era "massa" demais!

Marcaram uma luta para mim e fui para o Rio me preparar e junto resolvi lutar um campeonato de jiu-jitsu para roxa, marrom e preta. Pediram para eu não lutar de kimono enquanto eu me preparasse para o MMA mas fui mesmo assim. Na semi final lesionei o pé feio, aí nem MMA e nem jiu-jitsu (risos). Fui teimosa e foi um aprendizado. Em meses já estava lutando de novo, mas foi aí minha "iniciação".




Em nenhum momento da sua vida, você pensou em morar fora do Brasil por conta das maiores oportunidades e mais incentivo ao atleta?

Eu sempre penso em morar fora do Brasil QUANDO ESTOU FORA DO BRASIL (risos). Se estou lá, quero ficar lá,  se estou aqui, quero ficar aqui. Mas sempre penso sim, mas por causa da minha filha e pela distância que iremos ficar, isso acaba me abalando... mas quem sabe daqui um tempo eu não esteja morando fora e ela estará lá comigo não é mesmo?





Como surgiu, na época, o convite para participar do programa No Limite? E quais foram as principais mudanças que aconteceram na sua rotina depois do programa No Limite?

Na Califórnia me chamaram para fazer um programa muito bacana, que era a minha cara... dei o telefone do meu amigo onde eu estava hospedada na Califa e a produção da Globo me ligou lá; adorei a idéia e como já estava na hora de voltar, voltei. Achei que seria algo legal. Mudanças? Praticamente nenhuma. Mais pessoas passaram à me conhecer mas foi só. Na verdade fazer esse programa foi um descanso.

Estava precisando de férias, e aquelas vieram bem a calhar, estava em um rítmo muito forte de competições de treinamentos, e eu nunca havia parado, mesmo quando operava dava um jeito de treinar. Aquele programa caiu do céu literalmente. Descansei.





Por ser mulher, você sentiu dificuldade em estar nessa área tão tipicamente masculina? Sofreu algum tipo de preconceito?

Como nunca me importei com a opinião dos outros, eu nunca senti o preconceito. Sou muito focada e não ouço nada do que os outros pensam. Meio assim: "dane-se" entende?

O mercado antes não era tão aberto pq não tinha tanta menina lutando, mas agora mudou muito até pelo fato de estar "na moda" isso propiciou o esporte para as mulheres. Quando comecei era eu e mais 4 meninas e só., era confuso, e havia uma disparidade técnica muito grande, tinha menina que subia no ringue e era nocauteada em 10 segundos para ganhar 300,00 reais; muita lutadora que fez cartel em cima de só lutar com as "coitadinhas" entende? Até passei por isso.

Até hoje o que vejo de preconceito na verdade, a própria menina/mulher que acabou dando alguma "deixa", ou se insinuando para o parceiro de tatame; quando a menina vai para treinar não tem espaço para preconceito.

No MMA acho que as meninas estão sendo muito respeitadas! Eu sempre fui tratada com muito respeito e por isso não posso falar sobre isso. E nem mesmo presenciei.
Lá fora então, não posso nem falar nada também.

Mas claro, deve haver aqui no Brasil um certo preconceito sim contra atletas, acho que é cultural até, mas eu mesma não posso falar sobre isso, como disse, nunca sofri tal discriminação.





Hoje como é sua rotina de treinamento após as cirurgias no joelho que realizou?

Hoje estou com pouco mais de 7 semanas de cirurgia e estou em fisioterapia do joelho que me dá um pouco de trabalho, precisando agora de força, equilibrio e  estabilidade. Pela 6a vez estou tendo problema no joelho. Na última vez rompi o ligamento na última luta com a Vanessa, eu ali quase não conseguia ficar de é, lutei os demais 2 rounds com ligamento rompido, não conseguia andar direito, sem ponto fixo. Vim fazer testes, e operei com o Dr Moisés Cohen um dos maiores especialistas de joelho no mundo, me operou de graça para ver bem e lutando de novo.

 Desta vez, o Dr Cohen fez alguma coisa (pq senti dores anos nesse joelho) que hoje em dia sinto bem melhor e tenho que focar bastante na recuperação e deixar minha perna feito aço pq as oponentes focam nas minha nas minhas pernas e quem vier agora pode quebrá-la e estou trabalhando de forma diferente, me preparando com uma equipe só para mim, voltada para o meu treinamento pela 1a vez na vida. Por isso estou louca para minha volta. Ainda sem luta marcada mas já estão me procurando.

Preparem-se pq eu voltarei com tudo!





Hoje você está casada. Você acha que faz diferença para a mulher ter um marido que a incentive na escolha de vida profissional dela?

Antes eu não tinha uma vida pós tatame, morava na academia e aquilo era minha vida. E eu conversava com Deus e eu não entendia, perguntava "Deus não é possível uma vida sim". E o Mario (Marinho Boxe meu marido) ele veio na minha vida para ser parceiro em tudo, faz toda a diferença do mundo, pois está comigo 100%...ele é minha estrutura, ele é meu sonho, mas um sonho que se sonha junto entende? E sonhos assim se tornam realidade. O Mario vai fazer meus sonhos virarem realidade pq ele sonha comigo e faz de tudo, ele cria toda estrutura, ele é tudo! Faz toda a diferença do mundo na minha vida!



Canais com Ana Maria "Índia":



Lindos:Ana Maria Índia e Marinho Boxe - que Deus os abênçoe sempre"

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