A PENA E A ESPADA - Por Tony Ferraz

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Lutei o RematchGrappling este final de semana, e percebo que tanto no meio da literatura quanto da luta, algumas pessoas se mostram espantadas por eu executar as duas atividades, como se elas fossem incompatíveis. Para mim estão completamente ligadas. Tanto o pensamento como a luta são condições fundamentais do homem e estão presentes na raça humana desde o seu primórdio. Grandes filósofos, como Platão, foram lutadores. Platão mesmo, recebeu este apelido (seu nome verdadeiro era Aristócles) de seu treinador de luta (a luta era extremamente popular na Grécia antiga). Platão significa “Grande”, de omoplatas largas.


Por outro lado, a filosofia e a literatura sempre estiveram presentes nas artes marciais, principalmente nas de origem oriental. Os samurais eram treinados em diversas artes além das militares, como caligrafia, poesia, pintura, cerimônia do chá, entre outras. Esperava-se de um samurai grande domínio artístico.

Existe um tradicional conceito das artes marciais japonesas chamado “Bunbu Ichi”, que significa “luta e literatura são uma coisa só”, a união da pena com a espada. O guerreiro deve treinar sua mente através das artes e do estudo constante para que eles lhe ajudem a aprimorar suas habilidades.  Por outro lado, após a Era Tokugawa, quando os samurais desapareceram, o Budô (caminho do guerreiro) trouxe novos conceitos à tona. Agora não precisávamos mais treinar artes marciais para guerrear ou defender nossas vidas, mas as treinávamos para combater outro inimigo: Nós mesmos. O novo objetivo das artes marciais era o aperfeiçoamento interior, onde através das lutas, nos matamos, não mais o adversário, mas nosso próprio ego. Socos, chutes, chaves e torções são ferramentas para matar o ego.


"A vida, portanto, é luta.” (Hermann Hesse)


Eu treino luta, porque a luta é a vida. É um reflexo, uma miniatura da própria vida, onde eu posso estudar minhas reações e meu comportamento e atitudes sob as mais diferentes situações (medo, raiva, ódio, stress, etc). A luta te expõe e nela você não consegue se esconder, ela revela no tatame o seu caráter e sua personalidade verdadeira.

O Jiu-Jitsu é um xadrez humano, usando o corpo, onde lapidamos nosso corpo, mente e espírito, em constante desenvolvimento. Como diziam os romanos: “Uma mente sã num corpo são”.

Encerro com uma frase do sintetizador do Jiu-Jitsu, Jigoro Kano:

 “Praticar o judô é educar a mente a pensar com velocidade e exatidão, bem como o corpo a obedecer com justeza. O corpo é uma arma cuja a eficiência depende da precisão com que se usa a inteligência.”


Eu e meu oponente, o grande guerreiro Vladslav Cernaviskis



Tony Ferraz
Parceiro e colunista do blog Be More
Polímata, Faixa-Marrom, Campeão Brasileiro CBJJ sem kimono
Medalha de Bronze no Mundial IBJJF. Designer
Escritor e autor do livro "O Artífice"
https://www.facebook.com/tonyferrazOFICIAL?fref=ts


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